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domingo, 23 de maio de 2010

Filósofos da Renascença...

Os filósofos da Renascença poderiam ser dispostos em três grupos mais ou menos separados. Um primeiro grupo, que se voltou para o pensamento platônico, formou-se com a descoberta de algumas obras que até então não haviam se revelado. Estas obras tratavam das linhas gerais do panteísmo, isto é, da idéia de que o homem não poderia ter sido gerado senão da própria Natureza e que somente a ela deveria prestar culto, oferecendo seus serviços por meio de rituais, cultos e sacrifícios. Destes rituais e cultos adveio o ressurgimento da magia num sentido amplo, como a astrologia, a bruxaria e a alquimia.

Este pensamento era próprio dos gregos antes do surgimento da era cristã no século I. O que houve foi uma transposição destas formas de cultuar a natureza para uma época e um mundo já completamente transformados pela ideologia cristã, de um único Deus antropomórfico e que exigia total reverência. Por certo todas estas manifestações do desejo humano de controlar a natureza por vias não cristãs foram imediatamente associadas ao trabalho do demônio. Imediata-mente, a Igreja respondeu com os Tribunais e as fogueiras: caso Giordano Bruno, Galileu, entre milhares de outros.

Um segundo grupo, também baseando-se em antigos ideais gregos, tentou revitalizar o regime político republicano. Eles lutavam contra o poder centralizador dos Papas e dos Imperadores, que não permitiam discussões públicas de suas decisões e que, por este motivo, freqüentemente cometiam excessos políticos. Certamente houve, em algumas regiões, como em certas províncias italianas, uma abertura política que dava liberdades de expressão artística e intelectual. Estas províncias se tornaram ilhas de desenvolvimento cultural, onde se aglomeravam pintores, escultores, astrônomos, poetas, filósofos, numa efervescência intelectual que só poderia ser comparada com a antiga cidade de Atenas na Grécia antiga.

No entanto, por esta mesma época, as grandes navegações tiveram início e, com elas, a economia mercantilista e a descoberta do novo Mundo. Estes fatos econômicos e geopolíticos forçaram as nações européias a um recrudescimento da autoridade dos Reis e do ideal imperialista. O regime republicano proposto pelos renascentistas naufragou uma segunda vez e só seria resgatado novamente no período posterior, com o Iluminismo.

O terceiro grupo tenta conciliar os pensamentos dos dois grupos anteriores. Resumindo, o importante é que o homem deve ser dono de seu próprio destino, não importa se isto se dê no âmbito da natureza, no âmbito religioso ou no âmbito político. É ele próprio, e não uma autoridade estabelecida, que deve decidir como viver a sua vida, quais crenças possuir, de que maneiras pensar. Assim, ele luta contra três frentes: contra um Deus opressor, cuja dimensão ele não consegue compreender; contra um governo tirânico, cujos interesses pesso-ais se colocam sempre à frente dos seus; e contra uma natureza cuja limitação física, espaço e tempo ele quer superar a todo custo.

No Renascimento, o humano ganha dimensões divinas ou traz o divino para as dimensões humanas. Símbolo disto é a imensa obra de Michelângelo “A criação de Adão”, no teto da capela Sistina, na igreja de São Pedro, em Roma. Nesta fantástica amostra da pintura renascentista, Deus e Adão possuem as mesmas dimensões físicas, a mesma compleição muscular, a única diferença parece estar na idade, sendo Deus fisionomicamente mais velho que Adão. Deus está num plano um pouco superior e sendo carregado por um grupo de anjos. Esticando o braço, Ele quase toca Adão. Este, por sua vez, estica seu braço para que Deus o toque. No entanto, há uma incrível sensação ambivalente de que é Adão que está pintando Deus com o seu dedo, conferindo-lhe vida por meio da sua arte.

Como num espelho, Adão se reflete em Deus e vice-versa, numa estupenda bicondicionalidade e alternância de valores entre o divino e o humano. O pequeno espaço entre o dedo indicador de Adão e o de Deus parece infinita-mente grande na imobilidade natural da pintura, é tentador supor nisto uma sutil referência à eterna posição superior de Deus que, ainda que drasticamente próximo ao Homem, jamais o toca, dando a impressão de planos estanques, de uma barreira intransponível entre o eterno e o temporal, entre o infinito e o finito, entre a perfeição e o erro, entre o êxtase e o desejo.

1 – Num período de mudança, como foi o da renascença, geralmente as idéias subversivas costumam brotar de maneira rápida e explosiva. Diante disto, a situação dominante naturalmente reage tentando sobreviver, isto é, tentando fazer com que as coisas não mudem, que tudo permaneça como está. É possível reter o avanço do pensamento, dada a liberdade imaterial que lhe é própria? Explique e dê exemplos com a história do Brasil.
2 – Podemos perceber, hoje, os muitos benefícios trazidos pelo reflorescimento da medicina, da arquitetura, da engenharia, da navegação etc...principalmente durante o Renascimento. Porém será que seríamos capazes de perceber algum aspecto negativo de todas estas artes? Dê exemplos.
3 – Explique as três correntes filosóficas principais do renascimento.

O Renascimento...

Lá pelos séculos XIV e XV, o Homem começou a redescobrir-se. Houve uma explosão de produção em todos os níveis de expressão humana, como as artes em geral e a filosofia. Estas manifestações artísticas e filosóficas realizaram um resgate de antigos ideais clássicos que se obscureceram durante o período medieval; de modo que este novo período que emergia passou a chamar-se de Renascimento.

A filosofia deste período voltou-se contra os limites que a Igreja havia criado ao pensamento crítico durante o período medieval. Temas terminantemente restritos por causa de certos preceitos pagãos, como a astrologia, a alquimia, a magia, a natureza, a astronomia, a fisiologia, além de outros, tornaram-se os preferidos pelos filósofos do renascimento. Eram tão diversos os temas e se espalhavam de maneira tão abrangente sobre o pensamento, que alguns filósofos até se arriscavam às primeiras tentativas de um conhecimento prático, como foi o caso de Galileu, Giordano Bruno e Kepler. Também sabemos que Leonardo Da Vinci havia realizado pesquisas com fisiologia humana, arquitetura e com projetos de engenharia.

Um dos temas pagãos mais recorrentes na filosofia do renascimento talvez tenha sido o resgate de um tipo de doutrina greco-latina conhecida pelo nome de Panteísmo. Pan era uma deidade greco-latina que corporificava os interesses da natureza; teísmo é a designação de uma doutrina de afirmação de uma divindade qualquer. Panteísmo quer dizer algo como Deus sendo a própria natureza; isto é, segundo o panteísmo, Deus e natureza se identificariam e poderiam ser explicados um pelo outro. Um dos defensores mais famosos da doutrina panteísta na renascença do pensamento foi Giordano Bruno, que atribuía às estrelas, assim como ao restante da natureza, a verdadeira corporificação de tudo o que era divino por essência. O Panteísmo de Giordano Bruno era tão blasfemo para a Igreja que este filósofo italiano foi julgado pelo tribunal da Inquisição e, por fim, condenado à morte na fogueira por suas observações astronômicas que iam de encontro aos dogmas católicos.

Logo após a morte de Giordano Bruno na fogueira, foi a vez de Galileu Galilei, outro importante pensador e observador das estrelas, ser julgado pelo tribunal da inquisição. Oficialmente, foi a Galileu atribuída a invenção da luneta. Com este instrumento óptico, realizou várias observações que não referendavam a astronomia aceita oficialmente. Nesta época, havia duas teorias acerca de como a Terra, o Sol, a Lua e as estrelas se comportavam no espaço. Segundo a teoria oficial, a de Pitolomeu, que ainda datava do período antigo, a Terra se encontrava imóvel no centro do universo, enquanto todos os outros astros giravam em torno dela, presos às famosas esferas de cristal.

Havia, também, a teoria não oficial, a de Copérnico, segundo a qual era a Terra que se punha a girar em torno do Sol, sendo ela apenas mais um entre tantos planetas perdidos num universo ilimitado. A teoria pitolomaica estava muito mais de acordo com a crença de que Deus havia criado o mundo e, sendo ela a sua principal criação, juntamente com a do homem, nada mais justo que colocá-los num lugar privilegiado para a sua observação e deleite pessoal.

A teoria copernicana praticamente deixava o homem órfão de um criador ou, no mínimo, o encarava como uma criação de menor importância. Assim, o Homem, literalmente, deixava de ocupar o centro do universo e, metaforicamente, deixava de ocupar o centro da atenção divina.

A aceitação da astronomia copernicana nos leva a dois pontos básicos a respeito da totalidade do pensamento renascentista: o primeiro ponto é a recusa de explicações fenomenológicas baseadas nos dogmas da Igreja ou de explicações que existissem simplesmente para referendar estes dogmas; começava a nascer o pensamento de que a natureza pedia um tipo de explicação mais de acordo com os anseios experimentais humanos. O segundo ponto é a afirmação do Homem como o eixo em torno do qual devem girar as preocupações intelectuais e artísticas. Assim, ao se deslocar o homem do centro do universo para a sua periferia, metaforicamente o deixamos órfãos de um Deus que não o observa mais e, ao mesmo tempo, livre para começar a caminhar por suas próprias pernas, sem o peso de uma condenação divina.

Claramente percebemos os motivos, ainda que não o aceitemos, para a igreja ter queimado Bruno e se empenhado na condenação de Galileu ao mesmo destino. Porém, astutamente, Galileu preferiu pedir desculpas, se retratar perante a Igreja e retirar as suas afirmações que iam ao encontro das afirmações de Bruno. Deste modo, ele salvou sua vida, mas não deixou de pensar livremente como um verdadeiro homem da renascença. Assim, Galileu é, até hoje, referência para a Mecânica moderna, pois foi dele uma das primeiras teorias modernas acerca do movimento dos corpos.

1- Naturalmente, e também por força das ideologias teológicas dominantes, tendemos a encarar Deus antropomorficamente; ou seja, tendemos a imaginá-lo na forma de uma pessoa, na maior parte do tempo, adulta e do sexo masculino. Podemos considerar esta idéia de Deus como uma supervalorização da figura humana? Explique.
2- Você está de acordo com a idéia de restringir a liberdade de reflexão e de expressão do pensamento em troca da sobrevivência de um tipo de fé, de religião, de crença? Tente explicar sua resposta.
3- Se vivesse na época da Santa Inquisição e estivesse sendo julgado, como agiria? Confirmaria suas descobertas e iria para a fogueira ou as negaria para salvar a vida? Justifique.
4- Que tal pesquisar mais sobre a vida de Leonardo da Vinci, Galileu Galilei, Giordano Bruno e Kepler?